A revolução promovida pela população líbia que derrubou o ditador Kadafi, seguindo na esteira das revoltas da Tunísia e do Egito traz novos ares ao mundo árabe, provocando questionamentos sobre o futuro destas nações depois da dissolução de governos autoritários. Mas quem será que está de fato no controle das forças rebeldes destes países, maquinando os próximos passos desta nova ordem política?
Do lado pró-ocidente, a Itália era parceira notória de Kadafi, controlando por meio da estatal Eni Group (Lembra da Agip, antiga propietária da Liquigás?) a maior parte da exploração de petróleo e derivados em solo líbio, sendo Kadafi e Silvio Berlusconi bastante próximos. Agora vemos a França, que nunca se intrometeu nos assuntos dos vizinhos mediterrâneos se mostrando como a grande defensora da democracia na Líbia, movendo mundos e fundos para apoiar as forças rebeldes na derrubada do antigo regime, talvez esperando um quinhão maior de participação no negócio petrolífero por meio da adulação aos novos comandantes do país.
Talvez essa fosse somente uma disputa entre duas potências europeias por poder político e petróleo, não fosse o envolvimento de organizações fundamentalistas islâmicas com as forças insurgentes. Esse é o caso da irmandade Muçulmana, organização fundada no Egito por Hassan Al-Banna, professor e muçulmano radical que sonhava com uma sociedade totalmente regida pela lei islâmica. Objetivo este que pretendia conquistar por meio da jihad, a guerra em nome de Deus e da religião. a Irmandade esteve envolvida nas revoluções que derrubaram o governo egípcio no século passado, sempre almejando a instalação de um governo teocrático. Dentro das suas fileiras, vários membros da Al Qaeda foram formados, proliferando as ideias e os métodos de seu fundador. É fato notório que ela também está envolvida com as revoluções atuais do mundo árabe com o intuito de destituir governantes que ao seu ver são excessivamente laicos.
De conhecimento destes fatos fica a pergunta: será que a queda dos tiranos que comandavam Egito, Tunísia e Líbia darão origem a governos verdadeiramente democráticos ou apenas veremos o agravamento das tensões entre ocidente e mundo árabe com a subida de fundamentalistas insanos prontos a destruir o sistema atual e impor o seu próprio?

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